Lipedema não é falta de esforço: Por que emagrecer nem sempre resolve tudo?
Cirurgia Vascular
Imagine seguir uma alimentação equilibrada, praticar exercícios regularmente e perceber mudanças no peso, no abdômen e no rosto, mas continuar com as pernas volumosas e doloridas. Para algumas mulheres com lipedema, essa situação faz parte da realidade e pode gerar frustração, especialmente quando o problema é interpretado apenas como excesso de gordura corporal.
O que muitas pessoas desconhecem é que o lipedema não se resume ao acúmulo de gordura. Trata-se de uma condição crônica caracterizada por alterações no tecido adiposo, distribuição desproporcional de volume corporal e sintomas como dor e sensibilidade, que não desaparecem necessariamente com o emagrecimento.
Um consenso médico publicado na revista Phlebology, em 2021, destacou que o tecido afetado pelo lipedema pode apresentar maior resistência à redução por meio de dietas, exercícios e até procedimentos bariátricos. Isso ajuda a explicar por que algumas pacientes emagrecem, mas continuam percebendo diferenças importantes entre o tronco e as pernas.
Entretanto, existe um detalhe fundamental: essa resistência não significa que seja impossível reduzir o volume das pernas. A diretriz alemã S2k, publicada em 2024, reconhece que mulheres com lipedema e excesso de peso também podem apresentar redução do volume dos membros inferiores após o emagrecimento.
Então, se perder peso não resolve tudo, alimentação e exercício continuam sendo importantes?
Sim, e muito! A manutenção de hábitos saudáveis contribui para preservar a mobilidade, melhorar o condicionamento físico e controlar fatores que podem agravar o desconforto. Quando existe obesidade associada, o controle do peso também pode trazer benefícios importantes à saúde.
O tratamento do lipedema deve considerar os sintomas, a composição corporal e as necessidades individuais, podendo incluir acompanhamento nutricional, atividade física adaptada, terapia compressiva e outras medidas orientadas por profissionais especializados.
A ciência ainda investiga os mecanismos da doença e a resposta aos diferentes tratamentos, mas uma conclusão merece destaque: o peso na balança não conta toda a história.
Quando uma mulher apresenta dor, sensibilidade e aumento desproporcional das pernas, a resposta não deve ser simplesmente recomendar que ela emagreça. É necessário investigar o que está acontecendo e oferecer um cuidado adequado ao diagnóstico.






