Tirzepatida e Menopausa: O que a ciência revela sobre emagrecimento, hormônios e saúde feminina?

Endocrinologia

Por Dra. Suelen Regina Mazer Laraia

Endocrinologia · Metabologia

CRM/SP 129.424 · RQE 40.363

Publicado em · 2 min de leituraVisualizações: 7

Durante a transição para a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio favorece o acúmulo de gordura abdominal e alterações na composição corporal, incluindo a perda de massa muscular. Além disso, sintomas como insônia, ondas de calor e alterações de humor podem dificultar o controle do apetite e a manutenção de hábitos saudáveis.

Mas será que os novos medicamentos para obesidade podem ajudar nessa fase da vida?

O que os estudos mostram sobre a tirzepatida?

Uma análise do programa de estudos SURMOUNT demonstrou que mulheres na pós-menopausa tratadas com tirzepatida (Mounjaro®) apresentaram redução média de aproximadamente 23% do peso corporal, além de diminuição significativa da circunferência abdominal.

Outra pesquisa, publicada em 2026 na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women's Health, encontrou resultados interessantes: mulheres que utilizavam tirzepatida associada à terapia hormonal da menopausa apresentaram perda média de peso de 19,2%, comparada a 14% entre aquelas sem terapia hormonal.

Embora promissores, esses resultados ainda não comprovam que a terapia hormonal potencialize o emagrecimento. A indicação de cada tratamento deve considerar as características e necessidades individuais.

Emagrecer na menopausa pode trazer benefícios além da balança?

O excesso de gordura corporal, especialmente na região abdominal, está associado a alterações metabólicas e pode contribuir para intensificar sintomas como ondas de calor, dores articulares e dificuldades urinárias.

Estudos mostram que a perda de peso pode melhorar alguns desses sintomas e favorecer a qualidade de vida. Entretanto, ainda não está comprovado que medicamentos como a tirzepatida melhorem diretamente os sintomas da menopausa.

Outro cuidado fundamental é preservar a saúde muscular e óssea. Durante o emagrecimento, parte do peso perdido pode corresponder à massa magra, o que reforça a importância de alimentação adequada, exercícios de força e acompanhamento individualizado.

Por que algumas mulheres têm mais dificuldade para emagrecer?

A resposta pode envolver uma combinação de fatores: alterações hormonais, resistência à insulina, qualidade do sono, distribuição da gordura corporal, perda muscular e hábitos de vida.

Por isso, não basta escolher um medicamento para emagrecer. É preciso compreender o que está acontecendo com o organismo de cada mulher.

O tratamento da obesidade nessa fase deve considerar não apenas a redução do peso, mas também a saúde cardiovascular, a preservação da massa muscular e óssea e a qualidade de vida a longo prazo.

Seu corpo mudou. Sua estratégia de cuidado também precisa evoluir.

Se você está na perimenopausa ou pós-menopausa e percebe aumento da gordura abdominal, dificuldade para emagrecer ou mudanças na sua saúde metabólica, uma avaliação endocrinológica pode ajudar a identificar os fatores envolvidos e definir as melhores estratégias para o seu caso.

A menopausa não precisa ser sinônimo de ganho de peso ou perda de qualidade de vida.

A ciência está avançando, e o cuidado individualizado pode fazer a diferença nessa nova fase.



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