Dor torácica na infância: Quando devemos nos preocupar?
Cardiopediatria
A criança reclama de dor no peito e, imediatamente, surge a preocupação: será que é o coração?
A dor torácica é uma queixa relativamente frequente na infância e adolescência. Entretanto, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), apenas cerca de 1% a 4% dos casos têm origem cardíaca. Na maioria das vezes, a dor está relacionada a causas musculoesqueléticas, respiratórias, gastrointestinais ou emocionais.
Entre as causas mais comuns estão dores musculares, costocondrite (inflamação das cartilagens das costelas), infecções respiratórias, asma, refluxo gastroesofágico e ansiedade.
Mas quando devemos acender o sinal de alerta?
Algumas características merecem atenção especial:
Dor que aparece durante a atividade física;
Dor associada a desmaios ou tonturas;
Palpitações acompanhadas de dor;
Falta de ar, palidez ou sudorese;
Histórico familiar de morte súbita ou cardiomiopatias.
Nessas situações, é importante investigar possíveis causas cardiovasculares, como miocardite, pericardite e alterações estruturais ou das artérias coronárias.
Como é feita a avaliação?
A investigação começa com uma consulta médica detalhada, considerando as características da dor, os sintomas associados e o exame físico. Conforme a suspeita clínica, podem ser indicados exames como eletrocardiograma e ecocardiograma.
É importante lembrar que nem toda criança com dor no peito precisa realizar exames cardíacos. A investigação deve ser individualizada.
O mais importante é não banalizar, mas também não se desesperar!
A maioria das dores torácicas na infância não está relacionada ao coração. Reconhecer os sinais de alerta e realizar uma avaliação adequada permite identificar precocemente os casos que precisam de atenção especializada.
Cuidar do coração das crianças também significa saber quando investigar e quando tranquilizar.
Dra. Fernanda Salesse | Pediatria e Cardiologia Pediátrica
Referência: Sociedade Brasileira de Pediatria.
Departamento Científico de Cardiologia.
Dor Torácica na Criança. Documento Científico nº 1, 2017.

