Cuidado com o que você consome, nem tudo merece espaço na sua mente

Psiquiatria

Por Dra. Débora Paro

Medicina · Psiquiatria · Psicoterapia

CRM/SP 199.999

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Tudo aquilo que vemos, ouvimos e vivenciamos pode deixar registros na nossa memória e influenciar a maneira como enxergamos o mundo, as pessoas e a nossa própria vida. E é justamente por isso que precisamos ter sabedoria ao consumir conteúdos, principalmente nas redes sociais.

As redes sociais são, em grande parte, vitrines. As pessoas mostram suas conquistas, viagens, momentos felizes, relacionamentos e realizações. E não há nada de errado nisso. Ninguém é obrigado a compartilhar suas dificuldades, seus conflitos ou os dias em que tudo deu errado.

O problema começa quando você olha para a vida do outro e se esquece de que está vendo apenas uma parte dela. Você começa a comparar seu casamento, seus filhos, sua aparência, sua casa e suas conquistas com aquilo que aparece na tela. Aos poucos, a sua realidade, que até então poderia ser motivo de satisfação, começa a parecer insuficiente. E perceba, talvez nada tenha mudado na sua vida. O que mudou foi a maneira como você passou a enxergá-la.

É importante sonhar, ter objetivos e desejar melhorar de vida. Mas também é necessário manter os pés no chão. Viver constantemente imaginando uma realidade diferente pode fazer com que você deixe de aproveitar aquilo que já tem. Nem tudo que é bonito na internet é tão perfeito quanto parece. E nem tudo que é simples na sua vida tem menos valor. Precisamos aprender a viver bem o dia de hoje, dentro das nossas possibilidades, sem transformar a vida do outro em uma régua para medir a nossa.

Consumir conteúdos de forma consciente também é uma maneira de cuidar da saúde mental. É escolher o que merece nossa atenção, reconhecer o que desperta comparações desnecessárias e estabelecer limites. Cuide do seu imaginário. Nem tudo que entra pelos seus olhos e ouvidos merece permanecer nos seus pensamentos.

Afinal, uma mente constantemente alimentada por realidades idealizadas pode ter cada vez mais dificuldade de reconhecer o valor da própria vida.

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