Alzheimer: O Brasil envelhece, mas ainda demora a reconhecer os sinais
GeriatriaPor Dra. Daiane Gato Marimoto Fernandes
Clínico Geral · Geriatria · Psicogeriatria · Neuropsicogeriatria
CRM/SP 155.208

No Brasil, cerca de 2,9 milhões de pessoas idosas vivem com algum tipo de demência, e aproximadamente 80% dos casos ainda não foram diagnosticados, segundo o Conselho Nacional de Saúde (2026). Por trás desses números, há famílias que convivem diariamente com mudanças que confundem, preocupam e, muitas vezes, são interpretadas como “coisas da idade”.
O Alzheimer, responsável por 60% a 70% dos casos de demência no mundo, não se manifesta apenas por esquecimentos. Repetir perguntas, perder-se em lugares conhecidos, ter dificuldade em tarefas antes simples ou apresentar mudanças persistentes de comportamento são sinais que merecem atenção.
Envelhecer não significa perder a capacidade de pensar, decidir ou conduzir a própria vida. E nem toda falha de memória é Alzheimer. Alterações cognitivas também podem estar relacionadas à depressão, aos efeitos de medicamentos e a outras condições que precisam ser investigadas.
É por isso que o diagnóstico oportuno importa: permite investigar causas, definir cuidados, orientar familiares e planejar medidas para preservar a autonomia pelo maior tempo possível. Mesmo sem cura, existe muito a fazer pela qualidade de vida.
O cuidado também começa antes dos sintomas. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde destacou que fatores modificáveis estão associados a até 45% do risco de demência. Atividade física, controle da pressão arterial e do diabetes, saúde auditiva e convívio social integram uma estratégia de proteção da saúde cerebral.
Na Geriatria e Neuropsicogeriatria, olhar além da memória é essencial. Cuidar da pessoa idosa é compreender sua história, acolher a família e proteger aquilo que nenhuma doença deve apagar: sua dignidade.
Dra. Daiane Gato - Médica Geriatra | Atuação em Psicogeriatria e Neuropsicogeriatria








